sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Planetary # 03: Em Hong Kong a vingança nunca morre!

PLANETARY # 03
Título original: Dead Gunfighters
Título em português: Pistoleiros Mortos
Publicação original: junho de 1999 (wildstorm/DC)
Publicação no Brasil: Authority/Planetary nº 3 (Pandora Books - 2001); Planetary: Ao redor do mundo (Pandora Books – 2003); Planetary: Mundo Estranho (Devir Livraria – 2005).

A história começa com uma seqüência de ação digna dos mais famosos filmes de ação chineses. O fantasma de um policial aparece para assassinar um grupo de criminosos, logo após eles assassinarem uma prostituta e estarem rumando para uma entrega de drogas. Os membros do Planetary testemunham a cena, pois estavam justamente em busca disso.

O escritório chinês do Planetary chamou a equipe de campo para investigar a lenda urbana mais famosa de Hong Kong, a do policial fantasma. A responsável pelo escritório, Michelle disse que nunca aconteceu nada nos seis anos em que trabalha lá, e Elijah Snow questiona Jakita pela informação, já que esta teria dito para ele que o Planetary não existiria há mais do que quatro anos. Jakita argumenta que até então nunca conhecera ninguém que trabalhasse para a instituição por mais de três anos.

As lendas locais dizem que sempre há o espírito de um tira traído e assassinado em Hong Kong, condenado a fazer justiça, até que outro policial seja também traído e morto e assuma seu lugar. A equipe do Planetary vai até o local onde aconteceu o mais recente assassinato de um tira em Hong Kong. Ele se chamava Shek-Chi-Wai, e junto com seu parceiro, Mok, estava investigando os responsáveis pela castração e assassinato do irmão de um astro de cinema, que tinha se recusado a trabalhar para as tríades do crime em Hong Kong. Como retaliação, seu irmão foi seqüestrado e teve suas genitais penduras na porta da casa da filha do tal astro. O Detetive Shek pegou todos os envolvidos no crime, até que eles soltaram o nome do mandante. O policial foi morto naquele beco, a caminho de prendê-lo. Seu parceiro, Mok, está desaparecido desde então.

O Baterista então capta um sinal de informação, e pede para que Jakita bata no chão para provocar alguma reação. O que acontece em seguida é surpreendente: uma estranha e enorme máquina salta do chão. Questionado por Elijah, o Baterista diz que a máquina é muito velha, uma pilha de discos rígidos com um enorme depósito de informação, mas ele não faz idéia de que tipo de informação.

É quando aparece o fantasma do Detetive Shek-Chi-Wai e diz que tal máquina é Deus: “É a única palavra que se encaixa. Um objetivo com mais de 100 mil ângulos diferentes”. Jakita lhe pergunta quem o matou, e ele diz que foi um homem chamado Tony, com a ajuda do seu parceiro da polícia, Mok. “Foi por isso que me trouxeram de volta. Vingança. E não apenas por mim, mas por todos nós”.

Ele pede para que encontrem a mulher que deixou e digam para que ela aproveite a vida, pois agora que ele morreu, descobriu que não existe nada melhor do que aqui, nem ao menos existe inferno para os assassinos e estupradores. É por isso que ele foi trazido de volta, porque eles precisam ser removidos agora, a vida é tudo que as pessoas tem e não pode ser ameaçada. “E ninguém entende isso melhor do que um tira traído e morto em Hong Kong”.

Mok então reaparece, e tenta usar seu carro para atropelar o grupo, mas Jakita o destroça. O fantasma então executa o traidor, enfurecido por ter que passar os próximos dias como uma fantasma matando trastes como aquele, até que um outro policial seja traído e morto na cidade. Ele se despede do Planetary dizendo que se eles vieram atrás de um mistério, não há nenhum ali para ser encontrado.



ANÁLISE


O próprio início da história emula a narrativa frenética dos famosos filmes de ação produzidos em Hong Kong, enclave inglês na China, que há poucos anos voltou a fazer parte do seu país natal.

Reparem que toda narrativa de John Cassaday é conduzida em long-views, como se a história fosse contada em telas de cinema. O próprio uso das cores de Laura Depuy, abusando bastante do escuro, e também usando um “filtro de luz” azul, dá a sensação que estamos vendo um filme.

John Woo: Papa dos filmes de ação de Hong Kong

Essa é uma das razões de haverem poucas palavras na história, uma vez que Warren Ellis com certeza homenageou o estilo cinematográfico dos diretores chineses, especial John Woo, famoso por suas seqüências de ação sem muitas falas, uso poético da câmera lenta e lutas coreografadas.

Já a trama deve fazer homenagem principalmente ao personagem da DC Comics, o Espectro, o espírito de um policial morto, que ganha poderes sobrenaturais e faz justiça com as próprias mãos. Talvez também tenha sido homenageado aí “O Corvo”, personagem criado por James O’Barr e que fez mais sucesso no cinema do que nos próprios quadrinhos.

No entanto, cabe notar que na própria tradição chinesa há muitas histórias de fantasmas, algumas das mesmas aparecendo nos filmes feitos em Hong Kong, inclusive com espíritos de tiras mortos buscando vingança.

Chow Yun Fat é o astro de Hard Boiled (Fervura Máxima)

Também é importante a referencia as tríades chinesas, organizações criminosas que remontam há centenas de anos na China. Nesta história, uma tríade tenta fazer com que um ator trabalhe para seu estúdio, como ele se recusa, eles seqüestram e castram seu irmão em retaliação. Essa trama também aparece num dos filmes de Bruce Lee, aliás, algumas teorias sobre a misteriosa morte do ator e artista marcial, dizem que ele fora assassinado porque se recusara a trabalhar para o estúdio de uma das tríades de Hong Kong.

É interessante notar que, aos poucos, Elijah Snow vai percebendo que o Planetary é uma instituição com uma certa história, não um empreendimento de momento. Se é assim, o quanto de conhecimento essa entidade já acumula e o que fez com ele até agora? E por que o tal Quarto Homem vem patrocinando isso há tanto tempo?

A própria trama da história é bastante ágil e simples, basicamente a equipe do Planetary vai à Hong Kong, descobre que o fantasma é verdadeiro, e investiga sua origem, descobrindo que tal fenômeno não é isolado, mas se repete ao longo das décadas, sempre que um policial é traído e assassinado, passa então a fazer justiça com as próprias mãos, até que outro policial sofra a mesma sina e ocupe seu lugar.

Quando a máquina fantasmagórica aparece, o fantasma a compara com uma divindade, por seu conhecimento ilimitado, por poder usar esse conhecimento para trazê-lo de volta, e por ter tantos ângulos que é impossível ao olho humano compreender toda sua vastidão. O Baterista pergunta se são 196.833. Esse é o numero de ângulos do floco de neve gerado pelo computador quântico criado por Axel Brass e seus aliados, descrito na primeira edição de Planetary. Seria a mesma tecnologia?

No caso, essa espécie de computador armazena, pelo visto, “espíritos” humanos, ou aquilo que cientificamente podemos chamar de resquícios psíquicos. Ou seja, todas as memórias, tudo aquilo que essencialmente faz um ser humano. A máquina então pode tornar algumas dessas impressões novamente em seres, mas não de carne e osso, e sim em “fantasmas”, como os policiais mortos de Hong Kong.

Jet Li é o Máscara Negra: Hong Kong também têm super-heróis

REFERENCIAS

Qualquer coisa que eu pudesse escrever sobre os filmes de Hong Kong, seria fruto de pesquisa, principalmente na Internet. Mas, para ser honesto, não há porque fazer um texto sobre o assunto quando o verbete na wikipédia é tão completo sobre o assunto.

Procurem pelo verbete “Cinema de acção de Hong Kong” (com dois cs mesmo, o autor é português). http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_de_ac%C3%A7%C3%A3o_de_Hong_Kong

10 comentários:

Alexandre Gomes disse...

Parabéns meu caro! Referências bem lembradas quanto a personagens de quadrinhos. Boa sorte na continuidade deste blog.

Defler disse...

muito bom!! o pessoal tah de parabens pela iniciativa e pelo material apresentado aki continuem assim!!!

André Luiz disse...

Nem consigo acreditar que você retomou o trabalho que fazia por aqui, isso é ótimo!

Parabéns pela peserverança, cara. Não desista, o material aqui é muito bom :D

Sandro disse...

Putz, bela sacada a do Corvo.

O espectro eu até tinha imaginado, mas o corvo tb faz muito mais sentido...

Ve se nao some

marcos ayron de melo nascimento disse...

parabéns e obrigado pelas informações !

Bruno Costa disse...

Em meio a um multiverso de blogs inúteis,o seu se destaca por trazer informações e detalhes e referências desta grande série de quadrinhos. Gostaria de deixar aqui o meu apoio a esta grande iniciativa e também a minha disposição em ajudar na colaboração deste blog. Mantenha o bom trabalho, pois há sempre quem o valorize, não desista e conte comigo para divulgar e ajudar este blog a continuar a existir.

Floyd Preacher disse...

Cara Parabéns!

é o Blog mais bem sacado dos ultimos tempos!!
assim como Planetary é a HQ mais bem feita dos ultimos 10 anos eu como apreciador e divulgador de Planetary e de toda obra do Warrens Ellis, sou visitante assiduo do seu Blog... vc definitivamente está na Frequencia Global!

uma coisa...precisa de ajuda? nunca escrevi em Blogs...mas se estiver a fim posso tentar...claro mantendo sempre a alta qualidade dos textos!!
qualquer coisa me manda um e-mail floydpreachercarson@hotmail.com

Abraços!!

"...Até o fim do mundo!"
Preacher

Saint klaus disse...

Muito bom msm ! parabéns.
to até pensando em colecionar ... .

Anônimo disse...

meu, não pára não!!
o trabalho está maravilhoso!! parabéns mesmo!!

Rodrigo

Anônimo disse...

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